segunda-feira, 8 de junho de 2026

Joaquim José de Almeida

Por Adilson Braga Fontes


Joaquim José de Almeida estabeleceu-se no atual município de Afonso Cláudio antes de 1881, fato que pode ser comprovado pela seguinte nota publicada em jornal da época:

Em São José do Rio do Peixe (Guandu de Cima), de propriedade do Sr. Joaquim José de Almeida, faleceu no dia 26 de março de 1881 um escravo do referido senhor, de nome Domingos, de 18 anos, vítima de um tiro dado casualmente por seu senhor moço Calixto, durante uma caçada de veado. O informante diz-nos que esse moço quase endoideceu, porque os dois eram verdadeiros amigos (O CACHOEIRANO, 1881, p. 3).

Nesse mesmo ano de 1881, Joaquim José adquiriu as referidas terras da Fazenda Nacional, localizadas no já mencionado Rio do Peixe, abrangendo cerca de 16 milhões de metros quadrados (FONTES, 2014, p. 247).

Em 1884, sua propriedade destacava-se como uma das grandes produtoras de fumo de boa qualidade da região, alcançando naquele ano uma produção aproximada de 12 mil quilos do produto (FONTES, 2014, p. 25).

Joaquim José de Almeida nasceu por volta de 1846, no estado de Minas Gerais. Foi casado em primeiras núpcias com Francisca Valentina da Silva, falecida em 1888, e, em segundas núpcias, com Luiza Sebastiana Gomes, viúva do lendário Jorge Guilherme Gomes, personagem também abordado neste blog.

Era padrasto do também lendário Augusto Escopelli Gomes.

Joaquim teve diversos filhos. Entretanto, este autor não pôde determinar com segurança quais deles eram filhos de Luiza Sebastiana Gomes e quais eram provenientes do primeiro casamento com Francisca Valentina da Silva. São eles: José Cláudio de Almeida (hipoteticamente filho de Joaquim e Luiza), Francisca de Almeida (casada com Laurindo José da Fonseca Lannes), Maria Francisca da Assumpção (casada com Paulino Martins Vianna), Anna Francisca de Almeida (casada com Manoel Cardoso de Mattos), Victória de Almeida (casada com José Basílio de Souza), Magdalena Almeida (casada com Joaquim Machado Braga, tio-bisavô do autor deste blog), Joaquim Luiz de Almeida, Domingos Justino (Gustavo) de Almeida, Calixto Pereira de Almeida (o mesmo que acidentalmente matou o escravo de seu pai), Clemente Dutra de Almeida, João Batista de Almeida (filho da primeira esposa) e Joanna de Almeida (casada com Sátyro José de Souza) (FONTES, 2014, p. 162).

A árvore genealógica da família encontra-se disponível no FamilySearch.

Joaquim foi relacionado como agricultor estabelecido em Afonso Cláudio no ano de 1889 (SILVEIRA, 1889).

Esteve presente à solenidade de instalação da Villa Affonso Cláudio, realizada em 20 de janeiro de 1891. Em 1892, concorreu ao cargo de Juiz Distrital da Vila de Afonso Cláudio, obtendo 30 votos, sem lograr êxito na eleição. Em 1893, possuía duas casas alugadas na vila, uma pelo valor de 4$000 e outra por 9$000 (quatro mil e nove mil réis, respectivamente). Também atuava como negociante de 4ª classe e era proprietário de uma pequena fábrica de aguardente no município. Seu nome figurou ainda no alistamento eleitoral da Vila de Afonso Cláudio em 1894 (VIEIRA, 2009).

Com a fundação do Progressista Club de Afonso Cláudio, em 1890, Joaquim José foi nomeado tesoureiro da agremiação, então liderada por Ramiro de Barros (FONTES, 2014, p. 47).

Em 1895, recebeu a patente de capitão-ajudante do 36º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional da Comarca do Guandu (BRASIL, 1895, p. 7).

Joaquim José de Almeida faleceu por volta de 1911, em Afonso Cláudio.


Referências:

O Cachoeirano. Cachoeiro de Itapemirim, 31 jul. 1909, ano XXXII.

FONTES, Adilson Braga. Notícias de Afonso Cláudio: a história de Afonso Cláudio contada pelos jornais: 1881-1949. Campinas: Abrafo, 2014.

SILVEIRA, Godofredo da. Almanak administrativo, mercantil, industrial e agrícola da província do Espírito Santo. Vitória: [s.n], 1889.

VIEIRA, José Eugênio. Afonso Cláudio: cronologia de sua história política, administrativa e cultural. Vitória, 2009.

BRASIL. Diário Oficial da União. Seção 1. Rio de Janeiro, 10 de julho de 1895.


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