Antonio de Souza Barros, conhecido como Barros Preto, ao residir em Rio Pardo, tomou conhecimento da existência das terras do Guandu, região então celebrada por sua beleza e fertilidade. Movido pela curiosidade e pelo potencial do lugar, dirigiu-se até a região e, impressionado com suas condições naturais, ali estabeleceu a Fazenda Santo Antônio da Boa Vista, fixando residência no ano de 1876 — propriedade que mais tarde seria conhecida como Fazenda Guandu. Tratou-se, ao que tudo indica, do primeiro estabelecimento de que se tem notícia no Alto Guandu, posteriormente passando às mãos de Francisco Tosta das Neves.
Segundo registros da época, Antonio teria falecido em 15 de abril de 1884, na localidade de Guandu de Cima, distrito de São Sebastião (atual município de Afonso Cláudio, ES), então com a impressionante idade de 134 anos. O mesmo periódico que divulgou tal informação, em nota subsequente, registrava ainda a existência de Eleutério Velho, a quem atribuía 149 anos de idade, também morador antigo do Guandu. Contudo, a veracidade dessas idades é posta em dúvida por outra fonte jornalística, que menciona a existência de certidão de nascimento de Eleutério, o que leva à suspeita de exagero nas idades divulgadas. Assim, é possível que Antonio de Souza Barros não tivesse a idade extraordinária que lhe foi atribuída pelo jornal O Espírito-Santense.
A história oficial do município de Afonso Cláudio relata que o engenheiro Frederico Wilmer, em suas expedições em busca de ouro na região do Guandu, teria encontrado o valioso metal justamente em terras pertencentes a Antonio de Souza Barros, por volta da década de 1850.
Antonio foi casado com Maria Joanna, também identificada em algumas fontes como Custódia de Jesus, com quem teve numerosa descendência: Zaquiel de Barros, Maria de Souza Barros, Euzébio de Souza Barros (casado com Elvira Gomes da Rosa), Alfredo de Souza Barros (casado com Januária Maria de Jesus), Antonio de Souza Barros (casado com Maria Fernandes), Juracy de Souza Barros, Pedro de Souza Barros e Silvino de Souza Barros.
Em sua fazenda, registrava-se a presença de trabalhadores escravizados, tanto afrodescendentes quanto indígenas. Após sua morte, a propriedade foi vendida ao fazendeiro Manoel Fernandes Moura, figura de grande influência na região.
Em 1885, Dona Maria Joanna envolveu-se em um conflito com o Sr. Moura em razão do índio Leopoldino, nascido na própria fazenda e registrado por Antonio de Souza Barros como escravo. Após a morte do marido, a viúva buscou corrigir a situação, defendendo a libertação do indígena que considerava ter sido injustamente submetido à escravidão. O caso ganhou contornos judiciais, uma vez que Manoel Moura reivindicava Leopoldino como sua propriedade (FONTES, 2014).
Leopoldino conseguiu comprovar, perante o juiz municipal de Cachoeiro de Itapemirim, as circunstâncias de seu nascimento. Ainda assim, o juiz de direito da comarca negou-lhe o mandado de manutenção de sua liberdade (FONTES, 2014), revelando as complexas contradições jurídicas e sociais daquele período.
Na mesma época, por volta da década de 1880, aparecem registros de outros indivíduos com o sobrenome Souza Barros em Afonso Cláudio, possivelmente ligados à família de Barros Preto. Entre eles, destaca-se Joaquim de Souza Barros, que em 1883 assinou um documento em defesa de acusados de um homicídio envolvendo Jorge Guilherme Gomes, e Januário de Souza Barros, que em 1886 foi acusado de assassinar, “a facadas, o indivíduo José Innocêncio Seraphim, o qual evadiu-se após o assassinato” (FONTES, 2014).
Referências
"Brasil Batismos, 1688-1935", database, FamilySearch (https://familysearch.org/ark:/61903/1:1:XV7K-XXZ : 14 February 2020), Antonio Jose de Barros in entry for Zaquiel Barros, 1861.
FONTES, Adilson Braga. Notícias de Afonso Cláudio: a história de Afonso Cláudio contada pelos jornais: 1881-1949. Campinas: Abrafo, 2014.
O Espírito-Santense. Vitória, 26 maio 1886, ano XVI, n. 42.
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