Joaquim Antonio Dias (nascido em 1844) foi casado com Delphina Maria de Jesus (nascida em 1849, em Minas Gerais, filha de Francisco de Paula Ferreira e Luciana Maria de Paula), com quem constituiu numerosa família. Entre seus filhos encontram-se Maria José Eduvirge (nascida em 1870), Maria Januaria Dias (1872), José Sebastião Dias (1874), Francisco Thimóteo Dias (1882), que mais tarde se tornaria o fundador da tradicional Cachaçaria Thimotina, Miguel Dias (1885), Gabriel Dias (1887), Janaina Dias (1889), Genuína Dias (1891), Manoel Dias (1891) e Luciana Dias (1893).
Joaquim Antonio Dias figura entre os primeiros moradores de destaque do Alto Guandu. Sua hospitalidade e prestígio na comunidade ficaram registrados no diário de viagem de Dom Pedro Maria de Lacerda, bispo do Rio de Janeiro, que percorreu a região em 1886 durante sua visita pastoral ao interior da então freguesia de São Sebastião do Alto Guandu.
Na ocasião, Dom Pedro Maria administrou o sacramento da Crisma a dois filhos de Joaquim Antonio Dias e referiu-se ao anfitrião de maneira afetuosa como "o bom Joaquim Dias", expressão que revela a estima conquistada pelo fazendeiro junto ao religioso.
Em 15 de setembro de 1886, o bispo registrou em seu diário ter expedido provisão autorizando o casamento de uma das filhas de Joaquim:
"Passei provisão para aqui (Afonso Cláudio) casar-se uma das filhas do Sr. Joaquim Antônio Dias."
Poucos dias depois, em 21 de setembro, durante a viagem de retorno, Dom Pedro voltou a hospedar-se na residência da família, localizada na região correspondente ao atual distrito de Fazenda Guandu. O bispo registrou as melhorias que Joaquim havia preparado para recebê-lo novamente:
"De novo vi a Cachoeira Bonita e pelas 10 horas estávamos no bom Joaquim Dias. Agora havia alguns palmitos fincados perto da casa, e enfeites na porta da casa; havia cortina na porta de meu quartinho, e um lenço na janela servindo de vidraça. A mesa de jantar tinha sido serrada um pouco na ponta para ficar mais espaço para o altar, e um pano novo de chita clara estava em arco para servir de sobrecéu ou dossel ao altar que se armasse onde fora armado na ida. Ele mesmo agora tinha vinho, conhaque e outras bebidas. Coitado, pensava que eu lá chegaria ontem, dormiria e hoje diria Missa! Serviu-nos, porém, um bom almoço. Disse-me que quer casar agora uma outra filha mais moça; e eu mandei que me procurasse no Afonsinho."
O relato oferece um raro retrato da vida cotidiana dos pioneiros da região, revelando o esforço de Joaquim Antonio Dias para acolher dignamente a autoridade eclesiástica em uma época em que o Alto Guandu ainda possuía infraestrutura bastante precária.
Seu prestígio também se refletiu na vida pública. Em 1890, foi nomeado subdelegado de polícia do distrito de Afonso Cláudio. Poucos anos depois, figurava entre os eleitores da Vila de Afonso Cláudio no alistamento eleitoral de 1894 (VIEIRA, p. 93), demonstrando sua participação ativa na organização política do recém-formado município.
Curiosidade
Entre os filhos de Joaquim Antonio Dias destacou-se Francisco Thimóteo Dias, fundador da tradicional Cachaçaria Thimotina. O alambique iniciou suas atividades em 1915, vinte e quatro anos após a emancipação política de Afonso Cláudio, tornando-se uma das mais antigas fábricas de cachaça do Espírito Santo ainda em funcionamento.
O nome Thimotina deriva do segundo nome de seu fundador, enquanto a caricatura utilizada na logomarca presta homenagem à sua esposa. Após Francisco Thimóteo, a administração da cachaçaria passou para seu filho, Nério Dias, que permaneceu à frente da empresa até 1977. Entre 1978 e 2005, o comando ficou a cargo de Paulo Roberto Soares, genro do fundador, casado com sua filha Jovita. Atualmente, a cachaçaria é administrada por Paulo Roberto Dias Soares, bisneto de Francisco Thimóteo Dias, preservando uma tradição familiar com mais de um século de história.
Francisco Thimoteo teve dois filhos seus casados com sobrinhas de minha avó paterna: José Geraldo Dias (casado com Maria de Loudes Braga) e Joao Dias Leite (casado com Lidia Braga). Ambas as esposas são filhas de Maria Braga Lamas e Adelino Henrique Pedro.
Referências
BRASIL. Ministério da Agricultura, Indústria e Commércio. Directoria Geral de Estatística. Recenseamento do Brazil: realizado em 1 de setembro de 1920 : relação dos proprietários dos estabelecimentos ruraes recenseados no Estado do Espírito Santo. Rio de Janeiro : Typ. da Estatística, 1923. p. 6.
CHACHACARIA Thimotina. Disponível em: www.thimotina.com.br.
Diário da Manhã. Parte oficial. Vitória, 25 de março de 1922. Ano XVI, nº 185, p. 1.
FREIRE, Moniz. O Estado do Espírito Santo. Victória, 25 de dezembro de 1890. Anno IX, n. 2599. p. 1.
LACERDA, D. Pedro Maria de. Apontamentos da Visita Episcopal de 1886 na Província do Espírito Santo: 24 de julho de 1886 a 28 de março de 1887. p. 64, 81, 102.
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